{"id":7964,"date":"2014-03-10T09:00:35","date_gmt":"2014-03-10T11:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/forumjustica.vlannetwork.com\/?p=7964"},"modified":"2022-09-04T21:15:50","modified_gmt":"2022-09-05T00:15:50","slug":"a-vida-das-mulheres-e-a-luta-feminista-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/a-vida-das-mulheres-e-a-luta-feminista-popular\/","title":{"rendered":"A vida das mulheres e a luta feminista popular"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/9_Gw3Fko_CU3lnkg873-tFEZMKaLlVAM9L2GR-L5NE-Pf6JtCIERyUYoS-arRbTymd0P9Z8cC79GAi-gh2LEp-VK30eo3_qHnHxCj3Ym6rCSeS3GOO-O0B-Xw5X9v_tszvU=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.consultapopular.org.br\/sites\/default\/files\/u34\/8%20de%20marco.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p><strong> <\/strong>Bernadete Monteiro e Elaine Bezerra*<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo per\u00edodo, temos visto o capitalismo-patriarcado avan\u00e7ar de forma cada vez mais agressiva sobre a vida e o corpo das mulheres. Essa ofensiva atualmente se expressa de v\u00e1rias maneiras, como o aumento da viol\u00eancia sexista nas suas diversas formas.\u00a0 Concretiza-se, ainda, em dois fen\u00f4menos aparentemente contradit\u00f3rios: um crescente aumento do conservadorismo, como p\u00f4de ser visto principalmente nas tentativas de ataque aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres; e um crescente aumento de uma perspectiva liberalizante, que tem como \u00e1pice a defesa da regulamenta\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 tema recorrente nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, ainda que, muitas vezes, abordado de forma que pouco contribui para uma vis\u00e3o mais cr\u00edtica sobre o assunto. No entanto, \u00e9 imposs\u00edvel negar a visibilidade dada ao tema, notadamente pelas novelas, o que t\u00eam causado rea\u00e7\u00f5es no p\u00fablico que, muitas vezes, afirma que as mulheres merecem a viol\u00eancia sofrida.<\/p>\n<p>Esse quadro tamb\u00e9m vem acompanhado por um aumento de casos extremos de viol\u00eancia contra a mulher no pa\u00eds. Citamos como exemplo o caso de Queimadas (PB), ocorrido em 2012: a\u00e7\u00e3o premeditada e cometida por um grupo de homens, que violentaram sexualmente cinco mulheres e assassinaram duas. Ainda, assistimos tamb\u00e9m a propaga\u00e7\u00e3o de discursos de \u00f3dio contra as mulheres, que incitam a viol\u00eancia, notadamente contra as mulheres l\u00e9sbicas, tendo como principal ve\u00edculo a internet.<\/p>\n<p>A CPMI da Viol\u00eancia Contra a Mulher (2012-2013) nos confirmou o que muitas j\u00e1 sab\u00edamos: a total incapacidade dos \u00f3rg\u00e3os do Estado em tratar da viol\u00eancia machista. Faltam pol\u00edticas p\u00fablicas de combate e preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, faltam equipamentos de atendimento \u00e0 mulher, como delegacias especializadas e casas abrigo. Al\u00e9m disso, muitas vezes, os pr\u00f3prios agentes do estado falham no reconhecimento da viol\u00eancia: dizem que n\u00e3o \u00e9 preciso denunciar, ou que s\u00f3 podem fazer algo depois que o agressor fizer algo mais \u201cconcreto\u201d.<\/p>\n<p>Em contrapartida, temos visto entre as mulheres brasileiras uma maior mobiliza\u00e7\u00e3o e solidariedade com rela\u00e7\u00e3o aos casos de viol\u00eancia. O caso da banda New Hit (BA) \u00e9 um exemplo disso: a campanha pela pris\u00e3o dos respons\u00e1veis pelo estupro de duas adolescentes conseguiu grande solidariedade por parte de outras mulheres, tendo alcance nacional. Isso se refletiu, tamb\u00e9m, no fato da pr\u00f3pria CPMI, a partir de seu relat\u00f3rio, propor um projeto de lei que tipifica o feminic\u00eddio. S\u00e3o dois ineg\u00e1veis avan\u00e7os no que diz respeito \u00e0 luta das mulheres contra a viol\u00eancia e sua influ\u00eancia frente ao poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>O \u00faltimo per\u00edodo foi marcado tamb\u00e9m por ataques da direita conservadora e dos setores fundamentalistas aos direitos das mulheres, principalmente \u00e0quelas pol\u00edticas que atuam no sentido de garantir uma maior autonomia de decis\u00e3o, como no caso da escolha de ter filhos ou n\u00e3o. Tentam derrubar conquistas hist\u00f3ricas tramitando projetos como o PL 489\/2007, que institui o Estatuto do Nascituro, inviabilizando a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez mesmo no caso de estupro, ou atrav\u00e9s de propostas como a \u201cbolsa estupro\u201d. \u00a0Sem falar na press\u00e3o exercida sobre a Presidenta Dilma para que a mesma n\u00e3o sancionasse o PL 03\/2013, que garante o direito ao atendimento humanizado as v\u00edtimas de estupro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, vimos uma maior explicita\u00e7\u00e3o das respostas do feminismo liberal, que para al\u00e9m da den\u00fancia da viol\u00eancia e da reivindica\u00e7\u00e3o de uma liberdade individual pelo direito de uso do pr\u00f3prio corpo, n\u00e3o apresentam alternativas de supera\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o capitalista-patriarcal. Vimos emergir tamb\u00e9m o Projeto de Lei 4.211\/2012, de autoria do deputado Jean Willys ,que se apresenta como um projeto garantidor de direitos para as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o, mas na verdade visa regulamentar a explora\u00e7\u00e3o das mulheres por casas noturnas e pelos \u201ccafet\u00f5es\u201d, sendo mais um instrumento para acentuar\u00a0 a mercantiliza\u00e7\u00e3o do corpo e da vida das mulheres.<\/p>\n<p>Entretanto, em meio a tantas adversidades, h\u00e1 um aumento da disposi\u00e7\u00e3o das mulheres para as lutas, seja nas mobiliza\u00e7\u00f5es de rua em junho e julho de 2013, seja na sua participa\u00e7\u00e3o nas greves ou nas batalhas travadas em seu cotidiano. E tivemos lutas que foram vitoriosas, a extin\u00e7\u00e3o da Banda New Hit; a pris\u00e3o dos estupradores de Queimadas; a resist\u00eancia das mulheres de Apodi; a regulamenta\u00e7\u00e3o das trabalhadoras dom\u00e9sticas e a derrota do projeto da \u201cCura Gay\u201d. Conquistas que demonstram s\u00f3 ser poss\u00edvel enfrentar a onda reacion\u00e1ria e conservadora com muita luta e organiza\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n<p>Com o Dia Internacional de Luta das Mulheres &#8211; 08 de mar\u00e7o &#8211; abrimos 2014 com boas perspectivas de luta, principalmente em torno do tema da Reforma Pol\u00edtica, com a organiza\u00e7\u00e3o do Plebiscito Popular que luta por uma Constituinte sobre o Sistema Pol\u00edtico, pois temos a oportunidade de questionar o car\u00e1ter patriarcal do Estado, que impede que haja pol\u00edticas p\u00fablicas que contribuam para mudan\u00e7a da vida das mulheres. Com uma Constituinte Exclusiva e Soberana, teremos a oportunidade transformar profundamente nosso sistema pol\u00edtico, promovendo uma efetiva participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas inst\u00e2ncias de decis\u00e3o do nosso pa\u00eds e a constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para despatriarcaliza\u00e7\u00e3o do Estado. S\u00f3 assim teremos a possibilidade de efetivar pol\u00edticas que realmente enfrentem a viol\u00eancia contra mulher, que legalizem o aborto p\u00fablico e seguro, que promovam igualdade salarial entre homens e mulheres, que socializem o trabalho dom\u00e9stico e que rompam com qualquer perspectiva de mercantiliza\u00e7\u00e3o dos nossos corpos e vidas!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong> *Bernadete Monteiro e Elaine Bezerra s\u00e3o membros da Dire\u00e7\u00e3o Nacional da Consulta Popular<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.consultapopular.org.br\/noticia\/vida-das-mulheres-e-luta-feminista-popular\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.consultapopular.org.br\/noticia\/vida-das-mulheres-e-luta-feminista-popular<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernadete Monteiro e Elaine Bezerra* Neste \u00faltimo per\u00edodo, temos visto o capitalismo-patriarcado avan\u00e7ar de forma cada vez mais agressiva sobre a vida e o corpo das mulheres. 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