{"id":4516,"date":"2013-01-07T12:00:35","date_gmt":"2013-01-07T14:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/forumjustica.vlannetwork.com\/?p=4516"},"modified":"2022-09-04T21:16:23","modified_gmt":"2022-09-05T00:16:23","slug":"como-seria-estar-por-tras-dos-olhos-de-um-autista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/como-seria-estar-por-tras-dos-olhos-de-um-autista\/","title":{"rendered":"COMO SERIA ESTAR POR TR\u00c1S DOS OLHOS DE UM AUTISTA?"},"content":{"rendered":"<p><em>por gustavo serrate em 30 de dez de 2012 \u00e0s 06:56<\/em><\/p>\n<p>\u00abO autismo me prendeu dentro de um corpo que eu n\u00e3o posso controlar\u00bb &#8211; conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de Carly Fleischmann, uma adolescente que aprendeu a controlar o autismo para se comunicar atrav\u00e9s de palavras escritas em um computador ap\u00f3s 11 anos de enclausuramento dentro de si mesma, e assista tamb\u00e9m o video interativo \u00abCarly&#8217;s Caf\u00e9\u00bb, no qual voc\u00ea poder\u00e1 vivenciar alguns minutos da experi\u00eancia de um autista por tr\u00e1s dos olhos de um.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/lounge.obviousmag.org\/ponto_cego\/assets_c\/2012\/12\/img%20001-thumb-600x450-32064.jpg\" class=\"aligncenter\" width=\"600\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p>L\u00ea se na tela de um computador: \u00abMeu nome \u00e9 Carly Fleischmann e desde que me lembro, sou diagnosticada com autismo\u00bb, a digita\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta, a id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 conclu\u00edda sem algumas interrup\u00e7\u00f5es, \u00e9 assim que Carly trava contato com o mundo. Carly \u00e9 uma adolescente de Toronto, Canad\u00e1, e atravessou uma batalha na vida. Ajudada pelos pais, ela conseguiu superar a barreira m\u00e1xima do isolamento humano.<\/p>\n<p>\u201cQuando dizem que sua filha tem um atraso mental e que, no m\u00e1ximo atingir\u00e1 o desenvolvimento de uma crian\u00e7a de seis anos, \u00e9 como se voc\u00ea levasse um chute no est\u00f4mago\u00bb, diz o pai de Carly. Ela tem uma irm\u00e3 g\u00eamea que se desenvolvia naturalmente, e aos dois anos, ficou claro que havia algo de errado. Ela estava imersa no oceano de dados sensoriais bombardeando seu c\u00e9rebro constantemente. Apesar dos esfor\u00e7os dos pais, pagando profissionais, realizando tratamentos, ela continuava impossibilitada de se comunicar e de ter uma vida normal. O pai de Carly explica que ela n\u00e3o era capaz de andar, de sentar, e todos doutores recomendavam: \u00abVoc\u00ea \u00e9 o pai. Voc\u00ea deve fazer o que julgar necess\u00e1rio para esta crian\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/lounge.obviousmag.org\/ponto_cego\/assets_c\/2012\/12\/img%20002-thumb-600x393-32066.jpg\" class=\"aligncenter\" width=\"600\" height=\"393\" \/><\/p>\n<p>ram cerca de 3 ou 4 terapeutas trabalhando 46 horas por semana. Os terapeutas acreditavam que Carly fosse mentalmente retardada, portanto, sem esperan\u00e7as de algum dia sair daquele estado. Amigos recomendavam que os pais parassem o tratamento, pois os custos eram muito altos. O pai de Carly, no entanto, acreditava que sua crian\u00e7a estava ali, perdida atr\u00e1s daqueles olhos: \u00abEu n\u00e3o poderia desistir da minha filha\u00bb.<\/p>\n<p>Subitamente aos 11 anos algo marcante aconteceu. Ela caminhou at\u00e9 o computador, colocou as m\u00e3os sobre o teclado e digitou lentamente as letras: H U R T &#8211; e um pouco depois digitou &#8211; H E L P. Hurt, do ingl\u00eas \u00abDor\u00bb, e Help significa \u00abSocorro\u00bb. Carly nunca havia escrito nada na vida, nem muito menos foi ensinada, no entanto, foi capaz de silenciosamente assimilar conhecimento ao longo dos anos para se comunicar, usando a palavra pela primeira vez, em um momento de necessidade extrema. Em seguida, Carly correu do computador e vomitou no ch\u00e3o. Apesar do susto, ela estava bem. \u00abInicialmente n\u00f3s n\u00e3o acreditamos. Conhecendo Carly por 10 anos, \u00e9 claro que eu estaria c\u00e9tico\u00bb, disse o pai.<\/p>\n<p>Os terapeutas estavam ansiosos para ver provas e os pais incentivavam Carly ao m\u00e1ximo para que ela se comunicasse novamente. O comportamento hist\u00e9rico de Carly permanecia exatamente como antes e ela se recusava a digitar. Para for\u00e7a-la a digitar, impuseram a necessidade. Se ela quisesse algo, teria que digitar o pedido. Se ela quisesse ir a algum lugar, pegar algo, ou que dissessem algo, ela teria que digitar. V\u00e1rios meses se passaram e ela percebeu que ao se comunicar, ela tinha poder sobre o ambiente. E as primeiras coisas que Carly disse aos terapeutas foi \u00abEu tenho autismo, mas isso n\u00e3o \u00e9 quem eu sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar\u00bb.<\/p>\n<p>A partir dai, como dizem os pais, Carly \u00abencontrou sua voz\u00bb e abriu as portas de sua mente para o mundo. Ela come\u00e7ou a revelar alguns mist\u00e9rios por tr\u00e1s do seu comportamento de balan\u00e7ar os bra\u00e7os violentamente, e de bater a cabe\u00e7a nas coisas, ou de querer arrancar as roupas: \u00abSe eu n\u00e3o fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu pudesse parar eu pararia, mas n\u00e3o tem como desligar. Eu sei o que \u00e9 certo e errado, mas \u00e9 como se eu estivesse travando uma luta contra o meu c\u00e9rebro\u00bb.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/lounge.obviousmag.org\/ponto_cego\/assets_c\/2012\/12\/img%20002b-thumb-600x446-32068.jpg\" class=\"aligncenter\" width=\"600\" height=\"446\" \/><\/p>\n<p>\u00abEu gostaria de ir a escola, como as outras crian\u00e7as. Mas sem que me achassem estranha quando eu come\u00e7asse a bater na mesa, ou gritar. Eu gostaria de algo que apagasse o fogo\u00bb. Carly explica ainda que a sensa\u00e7\u00e3o em seus bra\u00e7os \u00e9 como se estivessem formigando, ou pegando fogo. Respondendo a uma das perguntas que fizeram a ela, sobre porqu\u00ea \u00e0s vezes ela tapa os ouvidos e tapa os olhos, ela explica que isso serve para ela bloquear a entrada de informa\u00e7\u00f5es em seu c\u00e9rebro. \u00c9 como se ela n\u00e3o tivesse controle e tivesse que bloquear o exterior para n\u00e3o ficar sobrecarregada. Ela explica ainda que \u00e9 muito dif\u00edcil olhar para o rosto de uma pessoa. \u00c9 como se tirasse milhares de fotos simultaneamente com os olhos, e \u00e9 muita informa\u00e7\u00e3o para processar. O c\u00e9rebro de Carly n\u00e3o possui a capacidade de catalizar a quantidade imensa de informa\u00e7\u00f5es para os sentidos, e consequentemente, ela n\u00e3o pode lidar com a quantidade excessiva de informa\u00e7\u00e3o absorvida.<\/p>\n<p>Segundo o pai de Carly, ela faz quest\u00e3o de dizer, que \u00e9 uma crian\u00e7a normal, presa em um corpo que a impede de interagir normalmente com o mundo. O Pai de Carly teve a chance de finalmente conhecer a filha. A partir do momento em que ela come\u00e7ou a escrever, se abriu para o mundo. Carly hoje est\u00e1 no twitter e no facebook. Ela conversa com as pessoas e responde d\u00favidas sobre o autismo. Com ajuda do pai ela escreveu um livro chamado Carly&#8217;s Voice (A voz de Carly). Entre os mais variados coment\u00e1rios que ela recebe sobre o livro, um cr\u00edtico disse: \u00abA hist\u00f3ria de Carly \u00e9 um triunfo. O autismo falou e um novo dia nasceu\u00bb.<\/p>\n<p>Assista o curta-metragem interativo \u00abCarly&#8217;s Caf\u00e9\u00bb, baseado em um trecho do livro, e vivencie a experi\u00eancia de Carly por alguns minutos:<\/p>\n<p><a href='http:\/\/lounge.obviousmag.org\/ponto_cego\/assets_c\/2012\/12\/img%20003-thumb-600x335-32070.jpg' >Clique aqui para ver o v\u00eddeo Carly&#039;s Caf\u00e9 &#8211; curta metragem interativo<\/a><\/p>\n<p>Veja algumas perguntas respondidas por Carly que ajudam a elucidar algumas quest\u00f5es do autismo:<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 1: Carly, voc\u00ea pode me dizer porque meu filho cospe todo o tempo? Ele tem todos os outros tipos de comportamento tamb\u00e9m: Bater a cabe\u00e7a, rolar, balan\u00e7ar os bra\u00e7os, mas o cuspe \u00e9 asqueroso e realmente faz com que as pessoas queiram ficar longe dele. Alguma id\u00e9ia?<\/p>\n<p>Carly: Eu nunca cuspi, quando era crian\u00e7a. No entanto, eu babava, e sentia como se cuspisse. Hoje eu percebo que eu nunca soube como engolir a saliva. Eu nunca usei minha boca para falar, e por isso, nunca usei os m\u00fasculos da boca. Quando voc\u00ea tem saliva presa na sua boca, existem poucas maneiras de se livrar do desconforto. Tente dar a ele alguns doces por duas semanas. Isso vai fortalecer os m\u00fasculos e ensina-lo a engolir a saliva.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 2: Meu garoto de quatro anos grita no carro toda vez que o carro para. Ele fica bem, desde que o carro mantenha-se em movimento. Mas uma vez que parou, ele come\u00e7a a gritar. \u00c9 uma mania incontrol\u00e1vel.<\/p>\n<p>Carly: Eu adoro longos passeios de carro. O carro em movimento, e o visual passando rapidamente permite que voc\u00ea bloqueie outros impulsos sensoriais e foque em apenas um. Meu conselho \u00e9 que voc\u00ea coloque um DVD no carro com cen\u00e1rio em movimento.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 3: Voc\u00ea alguma vez j\u00e1 gritou sem raz\u00e3o nenhuma? Mesmo com o semblante feliz, e tudo calmo e relaxado, mas voc\u00ea apenas come\u00e7a a gritar? Minha filha \u00e0s vezes faz isso e eu estou tentando entender o porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Carly: Ela est\u00e1 filtrando o audio e quebrando os sons, ru\u00eddos e conversa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do dia. Al\u00e9m de gritar, ela poder\u00e1 chorar, rir alto e at\u00e9 demonstrar raiva. \u00c9 a nossa rea\u00e7\u00e3o por finalmente entendermos algo que foi dito h\u00e1 alguns minutos, alguns dias ou alguns meses. Est\u00e1 tudo ok com ela.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 4: Como eu fa\u00e7o com que um adolescente pare com movimentos repetitivos na classe? Ele diz que os professores s\u00e3o chatos e que \u00e9 muito mais divertido na cabe\u00e7a dele. Eu sei que \u00e9, mas ele est\u00e1 perdendo todas as instru\u00e7\u00f5es e leituras. Eu estou sempre redirecionando ele, mas ele est\u00e1 perdendo tanto. Me ajude.<\/p>\n<p>Carly: Ok. Preciso limpar uma m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o sobre o autismo. Se uma crian\u00e7a est\u00e1 fazendo movimentos repetitivos, n\u00e3o quer dizer que ele ou ela n\u00e3o esteja escutando. De fato, ela escuta melhor se ela estiver fazendo esses movimentos. Eu estou estudando e ainda fa\u00e7o movimentos na classe. Eu tento ser discreta, como se estivesse enrolando um pequeno peda\u00e7o de papel nos meus dedos. Todos fazem movimentos repetitivos. Pense nos desenhos que voc\u00ea faz quando est\u00e1 no telefone, ou enrolando a ponta dos cabelos, ou enroscando o l\u00e1pis entre os dedos. Isso \u00e9 um \u00abstim\u00bb (uma movimenta\u00e7\u00e3o repetitiva). N\u00e3o h\u00e1 nada de errado com isso, mas \u00e0s vezes \u00e9 melhor tentar ser discreto.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/\">http:\/\/lounge.obviousmag.org\/ponto_cego\/2012\/12\/como-seria-estar-por-tras-dos-olhos-de-um-autista.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por gustavo serrate em 30 de dez de 2012 \u00e0s 06:56 \u00abO autismo me prendeu dentro de um corpo que eu n\u00e3o posso controlar\u00bb &#8211; conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de Carly Fleischmann, uma adolescente que aprendeu a controlar o autismo para se comunicar atrav\u00e9s de palavras escritas em um computador ap\u00f3s 11 anos de enclausuramento dentro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"anos":[],"projetos":[],"autorias":[],"eixos_tematicos":[],"locais":[],"pessoas":[],"estado":[],"academia":[],"sociedade_civil":[],"class_list":["post-4516","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4516"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17843,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4516\/revisions\/17843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4516"},{"taxonomy":"anos","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/anos?post=4516"},{"taxonomy":"projetos","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/projetos?post=4516"},{"taxonomy":"autorias","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/autorias?post=4516"},{"taxonomy":"eixos_tematicos","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/eixos_tematicos?post=4516"},{"taxonomy":"locais","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/locais?post=4516"},{"taxonomy":"pessoas","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/pessoas?post=4516"},{"taxonomy":"estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/estado?post=4516"},{"taxonomy":"academia","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/academia?post=4516"},{"taxonomy":"sociedade_civil","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/sociedade_civil?post=4516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}