{"id":2192,"date":"2012-06-26T21:05:33","date_gmt":"2012-06-26T23:05:33","guid":{"rendered":"https:\/\/forumjustica.vlannetwork.com\/?p=2192"},"modified":"2022-09-04T21:16:57","modified_gmt":"2022-09-05T00:16:57","slug":"manifesto-uninomade-10-tatu-or-not-tatu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.forumjustica.com.br\/es\/manifesto-uninomade-10-tatu-or-not-tatu\/","title":{"rendered":"Manifesto Unin\u00f4made +10 &gt;&gt;&gt; TATU OR NOT TATU"},"content":{"rendered":"<p>Por Universidade N\u00f4made<br \/>\nJunho de 2012<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/uninomade.net\/assets\/Negra_noname1-480x667.jpg\" class=\"aligncenter\" width=\"480\" height=\"667\" \/><\/p>\n<p>A palavra revolu\u00e7\u00e3o voltou a circular. Nas ruas, nas pra\u00e7as, na internet, e at\u00e9 mesmo nas p\u00e1ginas de jornal, que a olha com olhos temerosos. Mas, principalmente, em nossos esp\u00edritos e corpos. Da mesma maneira, a palavra capitalismo saiu de sua invisibilidade: j\u00e1 n\u00e3o nos domina como dominava. Assistimos ao final de um ciclo \u2013 o ciclo neoliberal implementado a partir dos anos 80, mas cujo \u00e1pice se deu com a queda do muro de Berlim e o consenso global em torno da expans\u00e3o planet\u00e1ria do mercado. Muitos dentre n\u00f3s (principalmente os jovens) experimentam seu primeiro deslocamento massivo das placas tect\u00f4nicas da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas nossa era n\u00e3o \u00e9 apenas crepuscular. Ao fim de um ciclo abrem-se amplas oportunidades, e cabe a n\u00f3s transformar a crise da representa\u00e7\u00e3o e do capitalismo cognitivo em novas formas de democracia absoluta. Para al\u00e9m das esferas formais, dos Estados e nacionalidades. Para al\u00e9m do capitalismo financeiro e flex\u00edvel. L\u00e1 onde brilha nossa singularidade comum: a mulher, o negro, o \u00edndio, o amarelo, o pobre, o explorado, o prec\u00e1rio, o haitiano, o boliviano, o imigrante, o favelado, o trabalhador intelectual e manual. N\u00e3o se trata de um recitar de exclu\u00eddos, mas de uma nova inclus\u00e3o h\u00edbrida. A terra, enfim, nossa. N\u00f3s que somos produzidos por esta chuva, esta precipita\u00e7\u00e3o de encontros de singularidades em que nos fazemos divinos nesta terra.<\/p>\n<p>\u00c9 pelo que clama a multid\u00e3o na Gr\u00e9cia, na Espanha e os occupy espalhados pelos Estados Unidos; \u00e9 pelo que clamam as radicalidades presentes na primavera \u00e1rabe, esta multid\u00e3o situada para al\u00e9m da racionalidade ocidental. \u00c9 o mesmo arco que une a primavera \u00e1rabe, as lutas dos estudantes no Chile e as lutas pela radicaliza\u00e7\u00e3o da democracia no Brasil. Nossas diferen\u00e7as \u00e9 o que nos torna fortes.<\/p>\n<p>A luta pela mesti\u00e7agem racial, simb\u00f3lica, cultural e financeira passa pela materialidade do cotidiano, pela afirma\u00e7\u00e3o de uma longa marcha que junte nossa pot\u00eancia de \u00eaxodo e nossa pot\u00eancia constituinte. Acontecimento \u00e9 o nome que nos anima para o \u00eaxodo perp\u00e9tuo das formas de explora\u00e7\u00e3o. \u00caxodo para dentro da terra. Fidelidade \u00e0 terra. Tatu or not tatu.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ouvir em n\u00f3s aquele desejo que vai para al\u00e9m da vida e da sua conserva\u00e7\u00e3o: para al\u00e9m do grande terror de uma vida de merda que nos imp\u00f5e o estado de precariedade e desfilia\u00e7\u00e3o extrema. \u00c9 preciso re-insuflar o grito que nos foi roubado \u00e0 noite, resistir aos clich\u00eas que somos, e que querem fazer de n\u00f3s: para al\u00e9m de nossas linhas de subjetiva\u00e7\u00e3o suspensas entre o luxo excedente do 1% ou do lixo sup\u00e9rfluo dos 99%.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso n\u00e3o precisar de mais nada, a n\u00e3o ser nossa coragem, nosso intelecto e nossos corpos, que hoje se espraiam nas redes de conhecimentos comuns apontando para nossa autonomia. Somos maiores do que pensamos e desejamos tudo.  N\u00e3o estamos sozinhos! \u00c9 preciso resistir na alegria, algo que o poder dominador da melancolia \u00e9 incapaz de roubar. Quando o sujeito deixa de ser um mero consumidor-passivo para produzir ecologias. Um corpo de vozes fala atrav\u00e9s de n\u00f3s porque a crise n\u00e3o \u00e9 apenas do capital, mas sim do viver. Uma profunda crise antropol\u00f3gica. Manifesta-se no esvaziamento de corpos constrangidos, envergonhados, refletidos na tela da TV, sem se expandir para ganhar as ruas. Nossos corpos paralisam, sentem medo, paran\u00f3ia: o outro vira o grande inimigo. N\u00e3o criam novos modos de vida. Permanecem em um estado de vidaMenosvida: trabalho, casa, trem, \u00f4nibus, trabalho, casa. A vida individual \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o. Uma vida sem compartilhamento afetivo, onde a gera\u00e7\u00e3o do comum se torna imposs\u00edvel. \u00c9 preciso criar desvios para uma vidaMaisvida: sobrevida, supervida, overvida. Pausa para sentir parte do acontecimento, que \u00e9 a vida.  Somos singularidades cooperativas. Pertencemos a uma esfera que nos atravessa e nos constr\u00f3i a todo o momento.<\/p>\n<p>O capitalismo cognitivo e financeiro instaura um perp\u00e9tuo estado de exce\u00e7\u00e3o que busca continuamente reintegrar e modular a normalidade e a diferen\u00e7a: lei e desordem coincidem dentro de uma mesma conserva\u00e7\u00e3o das desigualdades que produz e reproduz as identidades do poder: o \u201cPrec\u00e1rio\u201d sem direitos, o Imigrante \u201cilegal\u201d, o \u201cVelho\u201d abandonado, o \u201cOper\u00e1rio\u201d obediente, a \u201cMulher\u201d subjugada, a \u201cEsposa\u201d d\u00f3cil, o \u201cNegro\u201d criminalizado e, enfim, o \u201cDepressivo\u201d a ser medicalizado. As vidas dos pobres e dos exclu\u00eddos passam a ser mobilizadas enquanto tais. Ao mesmo tempo em que precisam gerar valor econ\u00f4mico, mant\u00eam-se politicamente impotentes.<\/p>\n<p>O pobre e o louco. O pobre \u2013 figura agora h\u00edbrida e modulada de inclus\u00e3o e exclus\u00e3o da cadeia do capital &#8211;  persiste no cru da vida, at\u00e9 usando seu  pr\u00f3prio corpo como moeda. E o louco, essa figura que vive fora da hist\u00f3ria, \u201cescolhe\u201d a exclus\u00e3o. Esse sujeito que se recusa a produzir, vive sem lugar. Onde a quest\u00e3o de exclus\u00e3o e inclus\u00e3o \u00e9 dilu\u00edda no del\u00edrio. Ningu\u00e9m delira sozinho, delira-se o mundo. Esses dois personagens vivem e sobrevivem \u00e0 margem, mas a margem transbordou e virou centro. O capital passa a procurar valor na subjetividade e nas formas de vida das margens e a pot\u00eancia dos sem-dar-lucro passa a compor o sintoma do capital: a crise da lei do valor, o capitalismo cognitivo como crise do capitalismo.<\/p>\n<p>A crise dos contratos subprimes em 2007, alastrando-se para a crise da d\u00edvida soberana europeia, j\u00e1 n\u00e3o deixa d\u00favidas: a forma atual de governabilidade \u00e9 a crise perp\u00e9tua, repassada como sacrif\u00edcio para os elos fragilizados do arco social. Austeridade, cortes, desmonte do welfare, xenofobia, racismo. Por detr\u00e1s dos ternos cinza dos tecnocratas p\u00f3s-ideol\u00f3gicos ressurgem as velhas bandeiras do biopoder: o dinheiro volta a ter rosto, cor, e n\u00e3o lhe faltam ideias sobre como governar: \u201cque o Mercado seja louvado\u201d, \u201cIn God we trust\u201d. O discurso neutro da racionalidade econ\u00f4mica \u00e9 obrigado a mostrar-se em pra\u00e7a p\u00fablica, convocando o mundo a dobrar-se ao novo consenso, sem mais respeitar sequer a formalidade da democracia parlamentar. Eis o homo \u0153conomicus: sacrif\u00edcio, na\u00e7\u00e3o, trabalho, capital! \u00c9 contra este estado de s\u00edtio que as redes e a ruas se insurgem. Nas mobiliza\u00e7\u00f5es auto-convocadas em redes, nas pra\u00e7as das acampadas, a exce\u00e7\u00e3o aparece como criatividade do comum, o comum das singularidades que cooperam entre si.<\/p>\n<p>No Brasil s\u00e3o muitos os que ainda se sentem protegidos diante da crise global. O consenso (neo) desenvolvimentista produzido em torno do crescimento econ\u00f4mico e da constru\u00e7\u00e3o de uma nova classe m\u00e9dia consumidora cria barreiras artificiais que distorcem nossa vis\u00e3o da topologia da crise: a crise do capitalismo mundial \u00e9, imediatamente, crise do capitalismo brasileiro. N\u00e3o nos interessa que o Brasil ensine ao mundo, junto \u00e0 China, uma nova velha forma de capitalismo autorit\u00e1rio baseado no acordo entre Estados e grandes corpora\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>O governo Lula, a partir das cotas, do Prouni, da pol\u00edtica cultural (cultura viva, pontos de cultura) e da distribui\u00e7\u00e3o de renda (programas sociais, bolsa fam\u00edlia, valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo) p\u00f4de apontar, em sua polival\u00eancia caracter\u00edstica, para algo que muitos no mundo, hoje, reivindicam: uma nova esquerda, para al\u00e9m dos partidos e Estados (sem exclu\u00ed-los). Uma esquerda que se inflame dos movimentos constituintes que nascem do solo das lutas, e reverta o Estado e o mercado em nomes  do comum. Uma esquerda que s\u00f3 pode acontecer \u201cnessa de todos n\u00f3s latino-amarga am\u00e9rica\u201d. Mais do que simples medidas governamentais, nestas pol\u00edticas intersticiais, algo de um acontecimento hist\u00f3rico teve um m\u00ednimo de vaz\u00e3o: aqueles que viveram e morreram por transforma\u00e7\u00f5es, os espectros das revolu\u00e7\u00f5es passadas e futuras, convergiram na constru\u00e7\u00e3o incipiente de nossa emancipa\u00e7\u00e3o educacional, racial, cultural e econ\u00f4mica. Uma nova mem\u00f3ria e um novo futuro constitu\u00edram-se num presente que resistira ao assassinato simb\u00f3lico da hist\u00f3ria perpetrado pelo neoliberalismo. A popularidade dos governos Lula tinha como lastro esses interst\u00edcios onde a pol\u00edtica se tornava uma po\u00e9tica. J\u00e1 hoje, nas taxas de aprova\u00e7\u00e3o do governo Dilma, podemos facilmente reconhecer tamb\u00e9m as cores deslavadas de um consenso prosaico. O \u201cpa\u00eds rico\u201d agora pacifica-se no mantra desenvolvimentista, retrocedendo em muitas das pol\u00edticas que tinham vazado. Voltam as velhas injun\u00e7\u00f5es progressistas: crescimento econ\u00f4mico para redistribuir! Estado forte! As nuvens ideol\u00f3gicas trazem as \u00e1guas carregadas do gerencialismo e do funcionalismo tecnocr\u00e1tico: menos pol\u00edtica, mais efici\u00eancia!<\/p>\n<p>Desta maneira, removem-se e expropriam-se os pobres: seja em nome de um Brasil Maior e se seu interesse \u201cp\u00fablico\u201d (Belo Monte, Jirau, Vila Aut\u00f3dromo), seja em nome de um Mercado cada vez Maior e de seu interesse \u201cprivado\u201d (Pinheirinho, TKCSA, Porto do A\u00e7u). Juntando-se entusiasticamente \u00e0s equa\u00e7\u00f5es do mercado, os tratores do progresso varrem a sujeira na constru\u00e7\u00e3o de um novo \u201cPa\u00eds Rico (e) sem pobreza\u201d. Os pobres e as florestas, as formas de vida que resistem e persistem, se tornam sujeira. A cat\u00e1strofe ambiental (das florestas e das metr\u00f3poles) e cultural (dos \u00edndios e dos pobres) \u00e9 assim pacificada sob o nome do progresso. Domina\u00e7\u00e3o do homem e da natureza conjugam-se num pacto f\u00e1ustico presidido por nenhum Mefist\u00f3feles, por nenhuma crise de consci\u00eancia: j\u00e1 somos o pa\u00eds do futuro!<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica de crescer exponencialmente, s\u00f3 se pensa em eletricidade e esqueceu-se a democracia (os Soviets : Conselhos). Assim, governa-se segundo a f\u00e9rrea l\u00f3gica \u2013 \u00fanica e autorit\u00e1ria \u2013 da racionalidade capitalista. Ataca-se enfim a renda vergonhosa dos \u201cbanquiplenos\u201d, mas a baixa dos juros vai para engordar os produtores de carros, essas m\u00e1quinas sagradas de produ\u00e7\u00e3o de individualismo, em nome da moral do trabalho. Dessa maneira, progredir significa, na realidade, regredir: regress\u00e3o pol\u00edtica como acontece na gest\u00e3o autorit\u00e1ria das revoltas dos oper\u00e1rios das barragens; regress\u00e3o econ\u00f4mica e biol\u00f3gica, como acontece com uma expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas que serra a dura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre cultura e natureza; regress\u00e3o da vida urbana, com a remo\u00e7\u00e3o de milhares de pobres para abrir o caminho dos megaeventos; regress\u00e3o da pol\u00edtica da cultura viva, em favorecimento das velhas oligarquias e das novas ind\u00fastrias culturais. O progresso que nos interessa n\u00e3o cont\u00e9m nenhuma hierarquia de valor, ele \u00e9 concreta transforma\u00e7\u00e3o qualitativa, \u201cculturmorfologia\u201d.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o imagin\u00e1rio moderno em que a dicotomia prevalece: corpo e alma, natureza e cultura, n\u00f3s e os outros; cada macaco no seu galho! Estes conceitos resultam em uma vis\u00e3o do mundo que distancia o homem da ecologia e de si mesmo. O que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 a maneira de viver no planeta daqui em diante. \u00c9 preciso encontrar caminhos para reconciliar estes mundos. Perceber outras configura\u00e7\u00f5es relacionais mais m\u00f3veis, ativar sensibilidades. Fazer dessa revolu\u00e7\u00e3o um grande caldeir\u00e3o de desejos que crie formas de coopera\u00e7\u00e3o e modos de interc\u00e2mbio, recombine e componha novas pr\u00e1ticas e perspectivas: mundos. Uma mesti\u00e7agem generalizada: nossa cultura \u00e9 nossa economia e nosso ambiente \u00e9 nossa cultura: tr\u00eas ecologias!<\/p>\n<p>As lutas da primavera \u00c1rabe, do 15M Espanhol, do Occupy Wall Street e do #ocupabrasil gritam por transforma\u00e7\u00e3o, aonde a base comum que somos nos lan\u00e7a para al\u00e9m do estado de exce\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico: uma d\u00edvida infinita que busca manipular nossos cora\u00e7\u00f5es e manter-nos acorrentados aos medos. Uma d\u00edvida infinita que instaura a perp\u00e9tua transfer\u00eancia de renda dos 99% dos devedores ao 1% dos credores. N\u00e3o deixemos que tomem por n\u00f3s a decis\u00e3o sobre o que queremos!<\/p>\n<p>A rede Universidade N\u00f4made se formou h\u00e1 mais de dez anos, entre as mobiliza\u00e7\u00f5es de Seattle e G\u00eanova, os F\u00f3runs Sociais Mundiais de Porto Alegre e a insurrei\u00e7\u00e3o Argentina de 2001 contra o neoliberalismo. Foram dois momentos constituintes: o manifesto inicial que chamava pela nomadiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder\/saber, com base nas lutas dos pr\u00e9-vestibulares comunit\u00e1rios para negros e pobres (em prol da pol\u00edtica de cotas raciais e da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior); e o manifesto de 2005 pela radicaliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Hoje, a Universidade N\u00f4made acontece novamente: seu Kair\u00f2s (o aqui e agora) \u00e9 aquele do capitalismo global como crise. Na \u00e9poca da mobiliza\u00e7\u00e3o de toda a vida dentro da acumula\u00e7\u00e3o capitalista, o capitalismo se apresenta como crise e a crise como expropria\u00e7\u00e3o do comum, destrui\u00e7\u00e3o do comum da terra. Governa-se a vida: a cat\u00e1strofe financeira e ambiental \u00e9 o fato de um controle que precisa separar a vida de si mesma e op\u00f5e a barragem aos \u00edndios e ribeirinhos de Belo Monte,  as obras aos oper\u00e1rios, os megaeventos aos favelados e aos pobres em geral, a d\u00edvida aos direitos, a cultura \u00e0 natureza. N\u00e3o h\u00e1 nenhum determinismo, nenhuma crise terminal. O capital n\u00e3o tem limites, a n\u00e3o ser aqueles que as lutas sabem e podem construir. A rede Universidade N\u00f4made \u00e9 um espa\u00e7o de pesquisa e milit\u00e2ncia, para pensar as brechas e os interst\u00edcios onde se articulam as lutas que determinam esses limites do capital e se abrem ao poss\u00edvel: pelo reconhecimento das dimens\u00f5es produtivas da vida atrav\u00e9s da renda universal, pela radicaliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de novas institui\u00e7\u00f5es do comum, para al\u00e9m da dial\u00e9tica entre p\u00fablico e privado, pelo ressurgimento da natureza como produ\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, como luta e biopol\u00edtica de fabrica\u00e7\u00e3o de corpos p\u00f3s-econ\u00f4micos. Corpos atravessados pela antropofagia dos modernistas, pelas cosmologias amer\u00edndias, pelos \u00eaxodos quilombolas, pelas lutas dos sem teto, sem terra, prec\u00e1rios, \u00edndios, negros, mulheres e hackers: por aqueles que esbo\u00e7am outras formas de viver, mais potentes, mais vivas.<\/p>\n<p>http:\/\/uninomade.net\/tenda\/manifesto-uninomade-10-tatu-or-not-tatu\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Universidade N\u00f4made Junho de 2012 A palavra revolu\u00e7\u00e3o voltou a circular. Nas ruas, nas pra\u00e7as, na internet, e at\u00e9 mesmo nas p\u00e1ginas de jornal, que a olha com olhos temerosos. Mas, principalmente, em nossos esp\u00edritos e corpos. Da mesma maneira, a palavra capitalismo saiu de sua invisibilidade: j\u00e1 n\u00e3o nos domina como dominava. 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